terça-feira, 29 de março de 2016

Folha em Branco



Numa folha em branco
Branco como esse céu
Céu que hoje chora a tua falta
Falta, alta, tá, frio...

Mente vazia
Vazia igual essa música
Música que me lembra você
Você que foi embora
Embora nesse frio...

Frio por causa do pranto
Pranto do céu
Céu branco
Branco o papel...

domingo, 27 de março de 2016

O olhar da escuridão

                              Estava eu ali, naquela imagem escura, sombria, sem cor, onde só se propagava o medo, a dor, a incerteza, a dúvida. Já não sabia mais quem eu era, de onde vim, onde estou, para onde vou. No entanto, em meio a toda aquela escuridão, eu vi o seu olhar. Ah, aquele olhar! Ele foi me tomando, me atravessando, me inundando, me transbordando... Chegou uma hora que não via mais nada. Não via o escuro, as sombras, a ausência de cor, não sentia mais o medo, a dor, a incerteza, a dúvida. Para ser exato, não sei o que sentia. Era como se sentisse e nada e tudo ao mesmo tempo. Não sei ao certo se isso era bom ou ruim, mas de uma coisa eu tenho certeza, aquele olhar mudou tudo...

terça-feira, 8 de março de 2016

No Meu Tempo

                                 No meu tempo havia o romance, o cortejo, o desejo, declarações, pedidos, fraquezas, músicas com letras maravilhosamente pensadas, cheias de metáforas, de comparações, era uma coisa bela. Músicas tristes, dolorosas, mas era maravilhoso como elas nos invadiam e faziam com que tivéssemos a certeza de que não estávamos só. A pureza da vida vivida, não almejada, a dor de muitos amores que não deram certo, mas a esperança de que o amor perfeito ainda estaria por vir. A timidez, as crenças limitantes que nos faziam temer a aproximação de uma pessoa que desejávamos, mas aquela vontade que superava tudo o que pudéssemos temer, pois nada justificaria perder aquela oportunidade. O toque tímido na mão, o olhar singelo e verdadeiro, um sorriso como expressão de um sentimento lindo, aquela certeza, que em meio a tantas frustrações estava ali, "Agora achei a pessoa certa!". Muitas das vezes nem era, não passava de apenas mais uma paixão, mas o que importa?! 
                                  No meu tempo, vivíamos a vida, sentíamos a vida, cortejávamos a vida, sorríamos para a vida, aprendíamos, crescíamos, caíamos, sofríamos, chorávamos, tínhamos nossos momentos de fraqueza, que não eram poucos, degustávamos a dor, a melancolia, mas nunca nos privávamos de amar aquilo e aqueles que tivéssemos vontade, pois no meu tempo não éramos covardes. 
                                 Podes me perguntar, "Mas como podes falar do seu tempo, sendo que vives no mesmo tempo que eu?", e eu te respondo, "Meu tempo, é de onde vim e onde pertenço, não onde estou.".

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Abismo

                          Às vezes me pego caindo em um abismo. Fico aflito, tenho medo, receio, angústia, dor, não apenas pela escuridão que a cada segundo em queda livre me cerca, pela velocidade do corpo que só aumenta, pelo desespero em pensar o quanto vai doer quando chegar no fundo, pelo sentimento solidão, pelos momentos bons que fazem questão de vir a mente nesse estado de vulnerabilidade, daqueles sorrisos, planos, pensamentos, alegrias e esperança que não voltaram mais. Não sinto isso pelo frio, pelas lágrimas que nem descer pelo meu rosto são capazes, pelas palavras que não posso dizer, mas sim pela certeza de que não haverá ninguém para poder me salvar, e mesmo que tivesse alguém que me estendesse uma corda, de nada adiantaria, pois não adianta o que façam, esse abismo está dentro de mim, abismo esse que quanto mais caio, mais profundo estou indo rumo às feridas da alma.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Até os mais fortes têm seus momentos

                   Até o mais forte dos homens tem seus momentos de fragilidade. Eu tive os meus. Nesses momentos de vulnerabilidade é que encontramos aquilo que nos afeta, sabemos então o que nos faz bem e o que nos faz mal, mas esses são conceitos muito relativos, porque um coisa pode ser boa e ruim ao mesmo tempo, dependendo da perspectiva.
                    Enganar a nós mesmo é muito fácil, basta repetir uma mentira até que ela se torne uma verdade. Porém, mentira tem perna curta, até para o nosso cérebro. É como quando alguém está apaixonado e não quer se permitir sentir aquilo, por achar que não vai acabar bem, por medo de sentir novamente e sofrer, por medo de se frustrar, entre outras coisas. E é aí que entra o que falei acima, os momentos de fragilidade acabam desmascarando essas tentativas de auto-enganação, e é nessa hora que vemos que sentimos, que choramos, que temos fraquezas, que pessoas tem poder e influência sobre nossas vidas, que temos dores, medos, defeitos, que somos covardes e isso tudo nos afeta, porque não estamos acostumados com tal choque de realidade. É mais fácil mentir para nós mesmo, mas cedo ou tarde a verdade vem a tona. Então sinta, se conheça, saiba dos seus defeitos e qualidades, demonstre aquilo que sente, extravase se sentir vontade, deixe fluir tudo, mas com cautela, sem atitudes precipitadas, atitudes que possam se transformar em arrependimento futuramente. A facilidade é igual algo barato e a dificuldade o mais caro, o barato pode custar menos, pode ser mais acessível e despreocupado, mas pode vir a danificar logo, não funcionar adequadamente, não ter um bom desempenho e gerar muita dor de cabeça, enquanto o mais caro exige um pouco mais de empenho e pode custar muito mais do que deveria, porém depois há uma certa segurança e despreocupação. Não se engane, não existe mentira pior do que aquela que contamos para nós mesmos...

domingo, 31 de janeiro de 2016

Desacreditado...

                    Desacreditado no amor! Medo de amar, medo de viver, medo de sentir. Falta de mentalidade, falta de personalidade, falta de carinho. Pessoas se vendendo por besteiras, pessoas achando que ter como comprar os outros é a melhor alternativa. Busca pela pessoa, busca por um motivo para deixá-la ir embora. Vazio na mente, vazio no coração, vazio na alma. E tudo isso se converte em nada. Gente buscando algo, porém com coisas fúteis, com coisas banais. Onde está o cortejo, onde está a troca de olhares, onde está o sorriso, onde estão as mãos dadas, onde estão os beijos roubados no meio da rua, onde está a coragem, de mesmo tendo sofrido no passado, tentar de novo e de novo, porque essa é a essência da vida, cair e levantar. Sim, ainda sou um romântico, um romântico a moda antiga, um romântico que já não tem mais lugar hoje em dia e fica na dúvida, se continua sendo um romântico, ou se deixa levar pela maré...

domingo, 3 de janeiro de 2016

Morde e Assopra

Tudo começou com um convite
Um pouco de ousadia e bom humor
Um pouco de surpresa, mas deixa rolar
Dias e dias de conversa
O carinho aumentando.

Ela não queria nada sério
Ele também não
Mas quando ele gostou dela
E ela dele.

Eram dois chatos, eram loucos
Loucos um pelo outro
Birras, tolices, bobagens, implicâncias
Sorrisos, abraços, beijos, olhares.

Era uma relação muito explosiva
Explosões de raiva, de chateações
Explosões de atração e loucura
Explosões de sentimento e de indiferença.

Mas mesmo com essa descontinuidade
Mesmo com essa falta de linearidade
Mesmo sendo uma relacionamento estranho e diferente
Era um momento único e inesquecível.