sexta-feira, 22 de julho de 2016

Regeneração

Depois que o sorriso do Sol não mais floresceu
Uma lágrima triste da chuva, desceu
Era tarde, mas era cedo
Era frio e tinha medo.

Os embrulhos causados pela ansiedade se foram
E os fogos vazios nos céu estouram
Será mais uma banalidade?
Ou será que agora é uma realidade?

Triste, dominado pela incerteza do amanhã, dormiu
E a noite, compadecida de sua agonia, sorriu...
                                                                                      (Felipe D. S.)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Um assobio

Andando por aí, numa rua deserta
Senti um assobio enquanto olhava para a Lua
Aquilo me contaminou
Era como se aquela vibração penetrasse pelos meus poros.

Me senti um drogado, alucinado
Perdido entre o som e a Lua
Sim, a Lua, cheia
Cheia de mim, de nós.

Na noite calada e escura
Senti o universo nos dar privacidade
Nesse momento, não havia mais nada
Só nós.

Estava em pé, mas estava deitado
A Lua não refletia mais a luz do Sol
Mas a luz dos meus olhos encantados
E como forma de retribuição àquele cortejo impossível
Assobiei, sim, era eu desde o início
Estava entorpecido demais para perceber.
                                                                                      (Felipe D. S.)

sábado, 16 de julho de 2016

O pássaro

Havia um pássaro que adorava cantar
Cantava por toda sua casa
Sua senhora adorava
Mas chegou um dia que ele quis ir além
Cantar em outros ares
Em outros lugares

A senhora, meio triste
O deixou partir
Sabia que era o melhor
Pois o amava e queria vê-lo feliz

Como era de se esperar
Ele partiu partindo sua senhora
Voou e cantou em vários lugares
Bares, mares, luares...

Passou a fazer isso todas as noites
Mas todas as manhãs voltava
Pois apesar de amar cantar livremente
Amava está ao lado de sua senhora

A senhora não é tola por arriscar deixá-lo ir
O pássaro não é um egoísta por querer sair
Pois quem ama sempre liberta
E quem ama sempre volta...
                                                                       (Felipe D. S.)

terça-feira, 28 de junho de 2016

Amanhecerá...

Chegou, me cegou
A levei a um concerto
Para tentar consertar meu desconserto
Depois paramos para reparar o parado
Olhando olhares se olhando
Catando e cantando pelas ruas
A lua cheia acendeu a noite
E então seu beijo me ascendeu, transcendeu-me
De forma discreta, descrevendo as estrelas
Suas lindas explicações sobre o mundo fluíam
E meus ouvidos fruíam
Mas amanhecerá, amanhã será
Amanhã me deixará
Na manhã fria, sofria, Sofia.
                                                              (Felipe D. S.)

sábado, 18 de junho de 2016

Partiu

O ônibus partiu partindo meu coração
Nele entrou meu amor
Fazendo de nós uma canção
Não olhei para trás para não vê-la partir
Olhei para frente, tentando sumir
Andei no abismo, sozinho
Enxugando as lágrimas fumegantes
Que meu resto queimavam
Orando para que ninguém me visse em tal estado

Estava eu, ali, dilacerado
                                                     (Felipe D. S.)

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Esqueci de ti

Esqueci do teu batom roxo
Do teu cheiro doce
Dos sorrisos meigos
Do seu gosto
Do seu jeito desajeitado

Esqueci de quando falávamos juntos
De quando ríamos do nada
De como o nada era tudo
De como o tudo era tão pequeno

Esqueci da sua voz rouca dizendo "meu amor"
De como pegava na minha mão
De como isso afetava meu ser

Esqueci de quando foi se afastando
De quando foi se apagando
De quando eu fui amando
E você esfriando...

Esqueci que mesmo vendo tudo
Preferia não ver nada
E foi vendo o nada entre nós
Que esqueci de te dizer
"Nunca lembrarei de te esquecer"
                                                                (Felipe D. S.)

domingo, 12 de junho de 2016

Nossa gramática

Você, minha oração principal
Eu, sua subordinada
Perdido entre vírgulas que cercam
Fico deslocado
Mas me coloca na ativa
E sinto-me teu complemento

Explicativa, objetiva, subjetiva...
Nossa relação é consequência do destino
E causa de inquietação
Afinal, só se pode amar, se entregar-se
Quando vai acabar?  Quem sabe?
Mas até lá, vamos fazendo de cada ponto final
Um ponto de partida

Quando terminamos uma frase, fase
Começamos um novo período
Às vezes simples
Às vezes complexo

Incoerentes, incoesivos
Conflitantes, corrosivos

Juntos
Eu, preposição
Você, artigo
Formamos a crase, crasal
Fruto da nossa regência transcendental
                                                                             (Felipe D. S.)